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Célula Preta: conheça o coletivo de estilistas pretos que acaba de ser lançado

Fruto do movimento Vidas Negras Importam, um grupo de estilistas pretos criou uma frente de ação e troca para trabalhar ativamente contra o racismo presente em toda a estrutura da indústria de moda. A Célula Preta surgiu a partir da união dos estilistas pretos Rafael Silverio, Jal Vieira, Diego Gama, TheoAlexandre, da Thear, Gui Amorim, do Estúdio Traça, Weider Silverio, Pedro e Hisan, da Dendezeiro, e Fabio Costa, da NotEqual, todos integrantes do line-up da Casa de Criadores. 

“Nossa demanda é antiga, mas levou grandes inspirações nas últimas manifestações também”, diz o coletivo. O propósito da Célula Preta é desmistificar conceitos racistas presentes no universo da moda, abrindo espaço para uma pluralidade racial dentro deste mercado, garantindo representatividade, local de fala, visibilidade e equidade.

Assim, a Célula Preta está criando frentes de comunicação que facilitem a escuta, a troca e a ação, abrindo diálogo com parceiros da indústria através de articulações que promovam equidade, dando aos pretos as mesmas oportunidades concedidas aos brancos. O grupo está trabalhando na organização de banco de dados que possa contemplar profissionais de todas as áreas da indústria, facilitando acesso de quem quer ter essa troca com os profissionais pretos e conhecer seus talentos e trabalhos.

A ideia é que a atuação da Célula Preta aconteça além do espaço da Casa de Criadores, ocupando outros espaços. “O racismo estrutural não é um problema de pessoas negras e indígenas e nem responsabilidade das mesmas. Então, acreditamos que a luta antirracista é uma luta de todes. Todes podem contribuir para a célula crescer dentro de suas ações, assim como podem usufruir dos conhecimentos que serão criados a partir dela”.

Um desses espaços é o FFW que, nesta semana, terá participação da estilista Jal Vieira, que assina uma curadoria de conteúdo que tomará espaços de texto, podcast e Instagram com uma agenda de convidados pretos que você pode ver ao final desta matéria e também acompanhar pelo nosso Instagram.

A Célula Preta vai abrir para receber outros estilistas que não sejam da CdC? 

A curto prazo não, porém nossas intersecções serão feitas nas ações de criar um banco de dados e de dar visibilidade ao trabalho de outros profissionais pretos, abrindo escutas com outros profissionais que possam ajudar a expandir a nossa mente de traçar metodologias de inclusões, abrindo espaço dentro da indústria para que estes profissionais tenham a voz ouvida e que tenhamos um ambiente diverso.

Ao longo prazo, é da vontade do coletivo criar conteúdos, direção criativa, artigos científicos, produzir uma moda inclusiva e criar projetos que beneficie socialmente e financeiramente a população preta.

Que tipos de ações vocês têm em mente para seguir na direção dos objetivos da Célula?

O primeiro objetivo da Célula é desenvolver uma rede de apoio e suporte a profissionais pretos. Escalada através de redes sociais, este grupo pensa ações que tenham impacto direto na emancipação destas pessoas através da criação de pontes que gerem acesso de diferentes formas: acesso à matéria prima, locais de visibilidade, recurso financeiro, parcerias benéficas e outras, além de fomentar a discussão acerca da presença destes profissionais no mundo da moda, o impacto do racismo e outras mazelas sociais. Seu principal objetivo é gerar acesso e conexões, sejam através de redes sociais ou ações diretas nas passarelas e em suas produções.  

Como vocês enxergam o trabalho da Célula Preta a longo prazo? Onde vocês querem que ela chegue?

A longo prazo a gente quer que a Célula se solidifique como uma plataforma de inclusão e desenvolvimento de profissionais pretos em toda a cadeia da moda. Que consigamos criar uma rede, desenvolver projetos e ações que permitam uma entrada efetiva desses profissionais nessa indústria que sempre se beneficiou de nossa imagem, mas que tem tanta dificuldade em reconhecer nosso trabalho.

Temos um desafio imediato que é pensar essas questões dentro da Casa de Criadores e entender como preparamos o terreno, não só pra nossas marcas, mas pra futuras marcas pretas que entrarem no evento. Mas nossa intenção é maior do que o evento em si, queremos e precisamos trazer reconhecimento, visibilidade e principalmente conseguir gerar trabalho. 

Conheça os estilistas/marcas que formam a Célula Preta:

Dendezeiro

Foto: Cortesia

Foto: Cortesia

A Dendezeiro é um projeto multicultural que visa unir diferentes expressões artísticas, como forma de pluralizar e transversalizar a forma como a moda é produzida no Brasil. É uma marca agênero, que busca desconstruir valores sexistas dentro da moda e carrega a ideia de que roupas podem ser vestidas por quem as desejar, independente de orientação de gênero ou sexual.

As coleções lançadas pela Dendezeiro retratam o cenário social e cultural de
Salvador, através de inspirações em elementos marcantes para a população, como a coleção Tabuleiro de Acarajé, que foi pensada como forma de homenagear e
visibilizar a tradição dos tabuleiros montados pelas Baianas de Acarajé. Destaca-se também a coleção atual e mais impactante da marca, que chama-se Cor de Pele, baseada no projeto artístico da brasileira Angélica Dass, onde a Dendezeiro selecionou cinco tonalidades de peles negras para criar o conceito das roupas.

Diego Gama

Foto: Cortesia

Foto: Cortesia

Diego é um estilista de origem fluminense que atua em São Paulo. Criado em Nova Friburgo, no interior do estado do Rio de Janeiro, cresceu em uma família de jogadores e profissionais do basquete e se utiliza dessas estéticas, a princípio opositivas, entre a natureza da serra fluminense, as cores e linhas sóbrias da capital paulista e os elementos de tradicionais uniformes e vestimentas do mundo esportivo para criar peças que sejam frutos desse novo universo estético em que tais inspirações
coexistam em harmonia.

A diegogama busca inspiração nas relações interpessoais, com temas que vão desde singelos abraços e cafunés que são ressignificados por meio de processos complexos de experimentação que geram estampas e texturas feitas tanto com técnicas tradicionais quanto com materiais incomuns ao universo têxtil. Em especial, a linha Digitais, feitas com o carimbo do dedo do estilista sobre uma superfície de silicone.

Estúdio Traça

Foto: Cortesia

Foto: Cortesia

Gui Amorim fundou o Estúdio Traça em 2016 e desde então já vestiu artistas como Majur, Duda Beat e Glória Groove e desenvolveu parcerias para empresas como Vicunha Têxtil, Nicoletti Têxtil, Chilli Beans. Formado em Negócios da Moda, Gui já passou por marcas como basico.com, Pair Store e Cotton Project.

A marca desenvolve o upcycling a partir de resíduos têxteis principalmente de denim, sua matéria-prima favorita, e recentemente, estreou na Casa de Criadores.

Jal Vieira

Foto: Cortesia

Foto: Cortesia

Jal é formada em Design de Moda com especialização técnica em Produção Audiovisual e pós graduanda em Modelagem Criativa. Atua profissionalmente com estilismo há 10 anos, trabalhando por 6 anos como estilista júnior na Amapô Jeans. Em 2011 lança sua marca ainda na faculdade e participa do Concurso Fashion Mob da Casa de Criadores onde ficou em 2º lugar. Em 2019, recebe o convite para
participar da Casa de Criadores como parte integrante do Projeto Lab e entra no line-up principal já na temporada seguinte.

A Jal Vieira Brand desenvolve coleções com foco na cultura negra e sertaneja
e suas formas de expressão no universo feminino, unindo pesquisas históricas
e questões sociais à suas vivências pessoais e coletivas. Desenvolve suas
coleções com primícias da ressignificação de materiais incomuns, como
cadarços de tênis, cortiça e borracha, aplicados em maquetes têxteis
desenvolvidas manualmente pela estilista. Assim, a forte característica do estudo de texturas artesanais somadas ao design ficam explícitas em cada coleção apresentada pela marca.

Not Equal

Foto: Cortesia

Foto: Cortesia

Fabio Costa nasceu em Belo Horizonte, onde foi criado por sua avó costureira e que acendeu nele a vontade de trabalhar com moda. Após finalizar seu bacharelado em Design de Moda, ele se mudou para Nova York para estudar na F.I.T e no Pratt Institute. Em 2012, ele participou do reality show Project Runway (décima temporada), onde ficou em segundo lugar. Ele ainda participou de temporadas do Project Runway All Stars, experiências que o ajudaram a superar expectativas sobre si e que resultaram na criação de sua marca, fundada em 2013, ainda em NY.

A Not Equal explora a inovação criativa através da moda e da arte, com roupas artesanais que desafiam a alfaiataria tradicional. Cada peça é individualmente elaborada.

Silvério

Foto: Cortesia

Foto: Cortesia

Rafael Silvério é formado em Desenho de Moda pela Faculdade Santa Marcelina (2013) e Pós Graduado em Negócios Internacionais e Comércio Exterior UNIP (2016).  Fundada em 2014, A Silvério se dispõe a reinventar a noção de belo, combinando volumes inventivos com silhuetas lúdicas e românticas, buscando inspirações em questões autobiográficas, filosofia, psicologia, literatura, música & tecnologia. Nessa busca pelo espírito do tempo, tenta reinterpretar gêneros, transcendendo a versatilidade.

Em 2018 foi convidado para Abest (Associação Brasileira de Estilistas) para participar do projeto Brazil Next Label, quando foram selecionados 13 marcas para uma imersão e preparação para exportação. Nesse projeto a marca foi convidada pela Farm para estrear na passarela num projeto de sustentabilidade chamado Re-FARM, tornando-se o primeiro estilista a ter um desfile autoral no espaço físico da marca. A marca agora faz parte dos residentes da Casa de Criadores, tornando-se vetor de marca emergente no cenário nacional, vestindo artistas como Karol Conka, Ludmila, Negra Li, Pabllo  Vittar e Paola Oliveira.

Silvério ainda se debruça em cima do Projeto Sil (Cio), que se dispõe a conversar sobre vulnerabilidade e disseminar educação emocional de forma afetiva, na busca da real autenticidade, empatia e criatividade.

Thear

Foto: Cortesia

Foto: Cortesia

Fundador da Thear, Théo Alexandre é designer de moda pela Universidade Federal de Goiás e especialista em gestão de moda pela Universidade Estadual de Goiás. Atua desde 2001 no processo produtivo de confecção, consolidando expertises para criação de produtos de moda para o atacado.

Em 2011 chega a final do concurso nacional Lycra Future Designers e leva o
prêmio de 3º lugar na categoria Swimwear, em um evento que teve a sua final em São
Paulo. Com a Thear se torna o primeiro representante do Centro-Oeste na Casa de
Criadores. A Thear, é uma marca que busca produzir moda de forma mais consciente, resgatando técnicas tradicionais, adormecidas no processo de produção fast fashion, buscando aumentar a relação afetiva entre a peça final e o consumidor. Um dos pilares da marca é a reutilização de resíduos dos tecidos que sobram no corte, acompanhado por modelagens que valorizam o atemporal. A marca trabalha com monofibra 100%
algodão, tecido natural e biodegradável.

Em 2020, Theo assume uma nova empreitada em sua carreira que é a Docência no Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda.

Weider Silveiro

Foto: Cortesia

Foto: Cortesia

A marca Weider Silveiro foi criada em 2002 com o propósito de preencher uma lacuna existente no mercado de moda nacional no segmento de feminino jovem e, desde então, vem apresentando coleções sazonais onde tem como principal característica a junção de design contemporâneo com matéria prima experimental, sempre privilegiando o artesanato. Silveiro busca sempre inovar o guarda roupa da mulher contemporânea unindo novo design com conforto sem perder a feminilidade.

O artigo Célula Preta: conheça o coletivo de estilistas pretos que acaba de ser lançado foi publicado pelo FFW.

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