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nyleferrari

[TW: anorexia/abuso] foram mais de 20 anos odiando cada parte do meu corpo. e ao longo desses anos várias formas de ataque: dietas, remédios, vício em exercícios, cintas modeladoras. em 2011 a frustração virou obsessão. decidi que pararia de comer e vivi a anorexia, doença que tem chance de matar 20% das vítimas – uma das doenças mentais mais letais. quase morri mesmo: consumia menos de 500 calorias e cheguei a 50 kg tendo 1,72m. passar mal e não ter forças pra existir virou rotina e a baixa imunidade resultou em feridas que me faziam chorar de dor. queria sumir e estava descontando no meu corpo as minhas feridas internas. e ele se tornou reflexo do se passava aqui dentro. finalmente estava magra como sempre quis e nunca havia sentido tanta tristeza e tanto ódio da minha imagem .

minha irmã foi a única pessoa a perceber que eu estava doente e me arrastou pra terapia. isso salvou a minha vida e deu início ao meu processo de cura. o feminismo e o veganismo somaram a essa luta: com o primeiro eu entendi porque ninguém percebeu que meus ossos não eram motivo de preocupação. de onde vem o ódio às minhas curvas, celulites e estrias. que essas curvas não eram culpadas pelos abusos que sofri na adolescência e eu não deveria me punir. me cerquei de mulheres fortes que me ensinaram a tratar o corpo com respeito
.

o veganismo transformou a culpa no ato de comer em luta e respeito à vida, a minha vida e dos animais. a comida e a cozinha, antes motivos de repulsa, viraram prazer, compaixão e resistência. sentar à mesa não me aflige mais – preenche meu coração e me conecta a pessoas incríveis .

se eu falar que hoje amo incondicionalmente cada parte do meu corpo, vou mentir. autoestima é luta diária e, como minha terapeuta ensinou, é mutável: um dia você vai se sentir bem com o que vê, outro dia talvez não. tá tudo bem. mas finalmente eu me sinto confortável com o que eu vejo. me sinto linda de decote, com estrias e tudo. de biquíni ou short curto, com celulite e mais estrias. acima de tudo aprendi a respeitar esse corpo que sobreviveu ao abuso, à doença, às tentativas de silenciá-lo. que resiste, que luta e me leva a lugares que eu jamais imaginei que conseguiria chegar

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