A moda está passando por um momento de transformação durante os últimos anos, assim como o mundo inteiro. Há uma discussão sobre até que ponto a tecnologia veio para ajudar, e sobre os reais benefícios que ela trás para a sociedade contemporânea.

Dentro desse assunto, surge uma vertente interessante: serão as lojas físicas de moda completamente substituída por e-commerces? Todas as empresas terão que fechar suas portas, literalmente, e abrir janelas virtuais?

Apesar desse grande medo que sonda os grandes varejistas, a resposta parece ser negativa. Há realmente um aumento de acessos em lojas online fazendo com que, consequentemente, as visitas aos pontos físicos tenham tido uma brusca queda. Entretanto, o número de vendas continua em crescente tanto no âmbito virtual quanto no tradicional.

Podemos entender melhor esse fenômeno, sabendo que muitos dos consumidores vêm aproveitando de ambos os meios, fazendo uma pesquisa prévia na internet pelo que deseja comprar, e aí sim saindo às ruas para consumar a compra, já sabendo exatamente o que deseja e onde o achará.

Lojas online estão virando uma extensão da loja física, e não um item substituinte. Ambas funcionam juntas para trazer uma experiência de consumo cada vez mais completa ao cliente, que está prezando cada vez mais por isso.

O atendimento exclusivo e personalizado aproxima o consumidor da marca, tornando-a cada vez mais presente no dia-a-dia e, portanto, cada vez mais lembrada. Um bom exemplo é a Le Bon Marché, nascida em 1838 recebendo o título de primeira loja de departamento do mundo, em Paris.

Apesar de muito antiga, a label vem sempre se renovando e buscando atender o que o público deseja, desde sua inauguração, quando enviava catálogos de produtos para os clientes, criando uma aproximação que em seguida foi muito copiada. Atualmente a loja física da marca não é apenas um lugar para comprar roupas e acessórios: a  experiência de consumo é levada à outro nível quando se é possível almoçar, ouvir músicas em vinil ou até mesmo desfrutar de alguma exposição no mesmo lugar que se faz compras.

Essas experiências agregam valor ao local, não podendo ser substituídas por uma venda através de um dispositivo mobile. Entretanto, a marca continua se mantendo atualizada, e por isso não esquece do ambiente virtual.

Em junho deste ano foi lançado a 24 Sèvres, uma plataforma de shopping digital definida como uma extensão da Le Bon Marché, para espalhar seu espírito por todo o mundo, onde as construções de tijolos e cimento ainda não se fazem presentes.

Experiências novas são acionadas quando a plataforma permite que se converse com um estilista parisiense, de qualquer lugar do mundo, através da tela de um computador, por exemplo. Essa dualidade que a Le Bon Marchê insere, se atualizando cada vez mais, reflete bem o futuro da moda. O âmbito físico e o virtual caminharão lado a lado ainda por muito tempo, para garantir uma experiência cada vez mais completa aos tão exigentes consumidores da atualidade. O importante é saber equilibrar ambos e, principalmente, se adequar ao preferencialismo dos clientes, que são o quê mantém a marca viva.